terça-feira, 13 de abril de 2021

 Eu fiz outro post como desabafo, escrevi pensando no LinkedIn, mas como outras vezes desisti hehe

Então foda-se vou botar aqui pq despendi muito tempo pra não postar ele em algum lugar rs

A pessoa, é claro, foi meu pai. A conversa foi durante o almoço com meus pais, em que eu converso só quando perguntam algo pra mim, ou se for pra dar patada pra um comentário absurdo.


A falta de interpretação de texto dos enviesados

Hoje (13/04/2021) presenciei um início de conversa que, segundo a pessoa, a CNN divulgou três notícias:
- Os vacinados da Janssen tiveram coágulo no cérebro;
- Coronavac tem baixa eficácia na prevenção do Covid-19;
- Há um estudo com remédios de uso preventivo com eficácia de 80% para Covid-19.

Não suspeitei exatamente da fonte da CNN, mas sim das informações que essa pessoa me trouxe, pois logo percebi que a conversa era de teor vacinas versus tratamento preventivo. Como era uma conversa enviesada para algo que eu não concordo, precisei me manifestar. Não comentei de primeira, apenas procurei a notícia na internet para não falar besteira.

Primeiro, fui na do remédio de uso preventivo. A mais parecida que havia encontrado era:
"Regeneron diz que coquetel de anticorpos previne Covid-19 sintomática em 81%".

Perguntei se a pessoa sabia quais eram os remédios, quem sabe ela respondesse algo parecido com a manchete acima, né? Sabe qq ela respondeu?
"Ué, não consegui ouvir [ela viu a notícia na televisão enquanto trabalhava], mas qq você acha que era? Algo preventivo para covid, só pode ser os do tratamento precoce!".

Pois bem, outro ponto que quis escancarar foi como os enviesados são como cavalos com viseira, de visão limitada. Apenas respondi que não é óbvio assim, já que temos um mundo a explorar a procura de remédios. Eu nem quis ramificar a discussão sobre como o "tratamento precoce" só existe para quem não se informa direito.

Quando mostrei a notícia recente mais provável, ela bem que achou que pudesse ser a mesma da televisão. Mas aí as informações eram bem diferentes:
Pessoa: "Mas estranho, dizia que era preventivo"
Eu: "E é, mas para quem provavelmente acabou de pegar o vírus, o remédio previne de Covid SINTOMÁTICO"
Pessoa: "E qq tem nesse coquetel então?"
Eu: "injeção de casirivimabe com imdevimabe, eu sei lá qq é isso, mas diz que são anticorpos".

Ou seja, dentre vários eventos, testemunhei a importância da interpretação de texto e como ela, juntamente com a análise de dados, podem combater a formação de opinião embasada em rasas ou falsas informações.
Logo lembrei das minhas notas baixas em português época de escola. Demorei para entender que as respostas estavam no próprio texto!
Com minha breve vivência de pesquisadora, percebi a importância de um claro "não sei, vou procurar" ao invés de falar com convicção o que eu acho no momento.

E sabe o que é pior? Conversas como essas formam opinião daqueles que não fazem questão de se informar. Ou seja, se não fosse alguém (no caso eu) questionando, o terceiro ouvinte da conversa estaria concordando plenamente!


PS: Escrevendo este texto logo vi que "Os dados ainda não foram revisados por pares ou publicados."
Devemos muito ter cuidado pois foi assim que surgiu a fama da cloroquina contra o Covid-19.